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Ao ler esta reflexão automaticamente meus pensamentos me levaram para o CVV. Tirando a primeira frase, que considero uma licença poética do autor, o restante da citação têm tudo a ver com os nossos atendimentos. Mostram o cuidado e a atenção que devemos ter ao ler as colocações da pessoa que nos procura, percebendo o que não foi escrito, o que ficou nas entrelinhas e principalmente a não sermos induzidos ao erro pelo que nos parece claro e óbvio.
É natural ficarmos ansiosos ao ver a demanda reprimida. Mas conseguimos estar totalmente voltados para a pessoa que estamos atendendo, mesmo com uma grande fila de espera?
Sabemos que nem todas as pessoas estão prontas para falar logo de cara sobre a razão que as levou a procurar o CVV, muitas dependem de tempo para se sentirem mais seguras, vão se abrindo aos poucos, à medida que vão confiando no voluntário. Acredito que todos nós já fizemos atendimentos onde, em principio, nos parecia ser uma conversa sem muito conteúdo e depois acaba se mostrando uma relação de ajuda muito rica, em que a pessoa consegue se abrir, falar de suas angústias, de temas muito íntimos, sobre os quais nunca havia conversado com ninguém, por se sentir protegida pelo anonimato e pelo sigilo, bem como pela atenção, acolhimento e respeito dados a ela.
Não há dúvida de que em muitos atendimentos a relação de ajuda não acontece e precisam ser finalizados por iniciativa do voluntário.
Mas se tivermos o cuidado para perceber a verdade que pode haver no silêncio existente em volta das palavras, atenção ao que não foi dito, a ler as entrelinhas, prestaremos uma relação de ajuda verdadeira, zelando pela qualidade do nosso trabalho e pelo nome CVV.
Marlise-Floripa
Florianópolis, 04.10.2013


Quando percebo que a fila começa a me deixar angustiada procuro relaxar e lembrar que uma das nossas premissas é estar por inteiro no atendimento com o outro, a angústia pode prejudicar a interação com a op.
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