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Em
seu livro, Rogers – ética humanista e
psicoterapia, Mauro Amatuzzi fala da Abordagem Centrada na Pessoa – ACP,
como:
“Uma maneira de ser que permite um
determinado olhar e gera uma maneira de fazer. Só que esta maneira de fazer não
está nela predefinida, a não ser quanto às orientações gerais. Cada maneira de
fazer precisa ser gerada, sob a influência da abordagem, sim, mas considerando
os aspectos concretos das diversas situações ... Tudo fica mais claro se
entendermos que ACP nos fala de fins, valores e posturas, e não de meios,
instrumentos, ou técnicas.”
Pode haver um momento mais
delicado do início da vida de um voluntário em que o mesmo não se sinta ainda
muito preparado para o equilíbrio da técnica e do acolhimento como uma coisa
só. E que na sua insegurança, opte por se manter na técnica. Já vivenciei isso
em treinamentos de Respostas Compreensivas.
Num primeiro momento, para o novo
voluntário, vai ficando clara a técnica. Chega a parecer que, como um papagaio,
(como dizem certas OP´s que reclamam de alguns atendimentos do CVV), de posse
de respostas tecnicamente aceitáveis, sempre poderemos nos manter em
atendimento sem grandes problemas. Até aí, parece fácil! Mas e a entrega de si
mesmo ao acolhimento de forma empática, amorosa e incondicional? E a
conscientização de ouvir sem projeções? E a sensibilidade de compreender,
destituído de julgamentos e aconselhamento? E o Respeito pelo outro da forma
que vem, da forma que é? E a Aceitação de suas escolhas com ausência de pré-conceitos?
E a humildade de Confiar na capacidade de reconstrução, sem interferências, de
sua harmonia, tanto quanto nós temos? É preciso “alma” acima de tudo.
Nós
podemos treinar e aprimorar muitas técnicas, mas não podemos ter um coração
menor, que substitua doação e sensibilidade por respostas tecnicamente
aceitáveis. Quando acolhemos uma OP nunca sabemos qual estágio de
autoconhecimento ela partilhará conosco. Algumas chegam ao final do atendimento
com muitas reflexões clarificadoras sobre si mesmas; outras, no entanto,
permanecem numa nebulosa de conflitos tão grande que pouco conseguiram caminhar
no desemaranhar de seus novelos de indagações. Faço referência a uma afirmação feita pela colega Regina - Goiânia.GO:
“Mas quando as atitudes de respeito pela individualidade do outro e de
interesse sem desejo de posse estão presentes, os resultados têm mais chance de
serem positivos.”
Certamente há momentos em que o nível de angústia e indecisão
confundem tanto uma pessoa que a ansiedade a desequilibra demais para uma
mudança com evidências. Mas certamente é o acolhimento humano, nivelado,
comprometido em caminhar por inteiro com a OP que acabará por ser a efetiva
relação de ajuda, seja em que nível for que ela aconteça. Continuando a citação
da colega, “É necessário sentir um interesse genuíno pelo outro como pessoa,
ver-se na relação de igual para igual, em proximidade, autenticamente presente,
reconhecer no outro a capacidade de mudança garantindo-lhe a liberdade ao conduzi-lo
ou atuar como uma espécie de espelho.
O voluntário necessita acreditar no
potencial humano de auto cura e auto realização. Acreditar que aquela pessoa
quer e pode curar-se, que tem dentro de si os recursos necessários, e que sabe
qual o melhor caminho ou caminhos para o seu crescimento.” Muitos de nós tivemos
experiências de momentos difíceis de superação, em que até nos desconhecemos,
tal a nossa fragilidade... E certamente, aqueles que nos acolheram de forma
incondicional, por mais fortes ou autossuficientes que nos considerassem, tiveram
um lugar especial de gratidão em nossos corações.
Agradecemos a colaboração da Suely e lembramos que colaborações para o blog são muito bem vindas. Entre em contato através do e-mail blogcvvweb@gmail.com.


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