domingo, 3 de novembro de 2013

Cheiro de confusão no ar

imagem by freepik

A espontaneidade, a autenticidade, o “não ter papas na língua”, podem causar dificuldades nos relacionamentos entre as pessoas. Já dizia um velho provérbio que “quem fala o que quer ouve o que não quer”.
            Certa vez fui com uma prima ao teatro. Ela, alérgica, estava bastante incomodada com uma vizinha perfumada sentada duas filas abaixo, e começou a reclamar do uso excessivo de perfume. A fulana cheirosa nos olhou de soslaio e eu pedi à minha prima que falasse mais baixo. Sem pensar duas vezes ela exclamou:


            – Se ela pode cheirar alto porque eu tenho que falar baixo?
O uso de “filtros” no convívio social é tão necessário quanto questionável, pois corremos o risco de esfumaçar a percepção de nossos próprios desejos, do reconhecimento de quem somos. A congruência: o alinhamento de desejos, pensamentos e ações é o que nos permite a integridade. E isso pode ser conseguido sem deixar de lado o respeito ao próximo. Sem dúvida esta é uma arte que se aprimora no exercício.
 Somos obras em andamento, inacabadas, e por isso a dificuldade em saber quem somos. Na medida em que me observo e prevejo minhas ações, na medida em que avalio minhas palavras e o efeito delas nos meus relacionamentos, na medida em que me preocupo mais com os outros do que comigo mesma, na medida em que busco me manter em equilíbrio neste mundo a cada dia mais tumultuado, percebo que dou mais um passo em direção a um bem estar pessoal e coletivo mais duradouro. A consciência e congruência dos pensamentos, palavras e ações é o que permite minha evolução.


            Quanto ao caso do teatro tudo acabou bem. As risadas ao nosso redor foram muitas e a moça perfumada discretamente foi se sentar em outra cadeira mais adiante, para nosso alívio. Pelo menos desta vez os incomodados permaneceram. Minha prima foi congruente e a irreverência conquistou amigos. Existiria uma abordagem melhor? Sempre existe. Esse é o exercício.

Artigo escrito por Elisa - Franca/SP


Agradecemos a colaboração da Elisa e lembramos que sugestão de artigos ou materiais para publicação podem ser feitos pelo formulário de contato, na lateral direita, ou através do e-mail: blogcvvweb@gmail.com.


2 comentários:

  1. Essa capacidade de controlar o impulso sobre o que falamos, mesmo estando com a razão, é um sinal de maturidade que permite melhorar bastante o relacionamento e o ambiente em que vivemos. Ótimo texto, Elisa!
    Um abraço!

    Vanessa - Paranaguá/PR

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