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A espontaneidade, a
autenticidade, o “não ter papas na língua”, podem causar dificuldades nos
relacionamentos entre as pessoas. Já dizia um velho provérbio que “quem fala o
que quer ouve o que não quer”.
Certa
vez fui com uma prima ao teatro. Ela, alérgica, estava bastante incomodada com
uma vizinha perfumada sentada duas filas abaixo, e começou a reclamar do uso
excessivo de perfume. A fulana cheirosa nos olhou de soslaio e eu pedi à minha
prima que falasse mais baixo. Sem pensar duas vezes ela exclamou:
–
Se ela pode cheirar alto porque eu tenho que falar baixo?
O uso de “filtros” no
convívio social é tão necessário quanto questionável, pois corremos o risco de
esfumaçar a percepção de nossos próprios desejos, do reconhecimento de quem
somos. A congruência: o alinhamento de desejos, pensamentos e ações é o que nos
permite a integridade. E isso pode ser conseguido sem deixar de lado o respeito
ao próximo. Sem dúvida esta é uma arte que se aprimora no exercício.
Somos obras em andamento, inacabadas, e por
isso a dificuldade em saber quem somos. Na medida em que me observo e prevejo
minhas ações, na medida em que avalio minhas palavras e o efeito delas nos meus
relacionamentos, na medida em que me preocupo mais com os outros do que comigo
mesma, na medida em que busco me manter em equilíbrio neste mundo a cada dia
mais tumultuado, percebo que dou mais um passo em direção a um bem estar
pessoal e coletivo mais duradouro. A consciência e congruência dos pensamentos,
palavras e ações é o que permite minha evolução.
Quanto
ao caso do teatro tudo acabou bem. As risadas ao nosso redor foram muitas e a
moça perfumada discretamente foi se sentar em outra cadeira mais adiante, para
nosso alívio. Pelo menos desta vez os incomodados permaneceram. Minha prima foi
congruente e a irreverência conquistou amigos. Existiria uma abordagem melhor?
Sempre existe. Esse é o exercício.
Artigo escrito por Elisa - Franca/SP
Agradecemos a colaboração da Elisa e lembramos que sugestão de artigos ou materiais para publicação podem ser feitos pelo formulário de contato, na lateral direita, ou através do e-mail: blogcvvweb@gmail.com.


Essa capacidade de controlar o impulso sobre o que falamos, mesmo estando com a razão, é um sinal de maturidade que permite melhorar bastante o relacionamento e o ambiente em que vivemos. Ótimo texto, Elisa!
ResponderExcluirUm abraço!
Vanessa - Paranaguá/PR
Obrigada, Vanessa!
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