domingo, 10 de novembro de 2013

Trecho do livro "Tornar-se pessoa"

Obra "Almas afins" - Macá/São Paulo - SP



ACP – Quais são as implicações para a vida?
No capítulo 16 do livro “Tornar-se Pessoa”, Rogers conta que descobriu na experiência com a Abordagem Centrada na Pessoa implicações significativas e profundas para a vida familiar.
Melhoria da comunicação nos dois sentidos

“A experiência terapêutica parece provar uma outra alteração na forma como os nossos pacientes vivem as suas relações familiares. Eles aprendem a forma de iniciar e manter uma comunicação real nos dois sentidos. Compreender a fundo as ideias e os sentimentos de outra pessoa, com o significado que essa experiência tem para ela, e, inversamente, ser profundamente compreendido por essa outra pessoa — é uma das experiências mais humanas e mais compensadoras e, ao mesmo tempo, uma das experiências mais raras.

Alguns indivíduos que foram submetidos à terapia relatam muitas vezes o prazer que sentiram ao descobrir que uma comunicação autêntica desse tipo é possível com membros da sua própria família.
Em parte, isso parece dever-se, de uma maneira absolutamente direta, à sua experiência da comunicação com o terapeuta. É um tal alívio, uma tal descontração das suas defesas, sentir-se compreendido, que o indivíduo quer criar essa atmosfera com os outros. Descobrir ao longo da relação terapêutica que os mais terríveis pensamentos, os sentimentos mais estranhos e anormais, os sonhos e as aspirações mais ridículas, as piores atitudes, tudo isso pode ser compreendido por outra pessoa, é uma experiência extraordinariamente libertadora. E começa-se a ver essa situação como um recurso que se pode estender aos outros.

Há ainda, porém, uma razão que parece ser mais fundamental e pela qual os clientes são capazes de compreender os membros da sua família. Quando vivemos atrás de uma fachada, quando tentamos agir de uma forma que não está de acordo com os nossos sentimentos, não conseguimos ouvir o outro livremente. Temos de estar sempre alerta com receio de que o outro rompa a nossa fachada defensiva. Mas quando um cliente vive segundo a maneira que descrevi, quando tende a exprimir seus verdadeiros sentimentos na situação em que ocorrem, quando as suas relações familiares são vividas com base nos sentimentos que no momento estão presentes, então o indivíduo abandona suas defesas e pode realmente ouvir e compreender os outros membros da família. Pode permitir a si próprio ver a vida tal como ela surge aos olhos dessa outra pessoa.”

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Carl Rogers, Capítulo 16

Agradecemos a imagem enviada por nossa voluntária Macá, talentosa artista plástica, criadora da estátua.

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