sábado, 25 de janeiro de 2014

Houve uma época em que o CVV aconselhava...

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Sim, é isto mesmo, somos uma Instituição dinâmica, sempre em evolução.
O CVV adota hoje uma orientação humanista, mas nem sempre foi assim. Os voluntários precisaram de dedicação sincera e amor real pelo próximo para irem descobrindo, aprendendo com a experiência, a melhor forma de oferecer uma relação de ajuda para a Outra Pessoa.
Conta-nos Jacques Conchon* sobre a infinita aprendizagem por que passou a instituição neste meio século de existência, vivenciando fases que hoje seriam chamadas de bizarras. Ele fala em quatro fases:


1) Na primeira, acreditava-se que o melhor caminho era eliminar a causa, para cessar o efeito. Se a pessoa sofria de depressão por causa de um problema, o caminho seria eliminar tal problema e a pessoa encontraria serenidade. Mas a experiência espantou aqueles jovens voluntários. Quase nunca esta hipótese se comprovava;

2) Na segunda fase, pensou-se que a melhor forma de ajudar seria lançar luzes sobre os problemas para que a própria pessoa pudesse resolvê-los. Seria o ajudar a pensar, ou seja, os voluntários interferiam na vida da pessoa, davam sugestões, julgavam e ofereciam conselhos. Rapidamente perceberam que “iluminar os caminhos” era bem pretencioso;

3) Na fase seguinte, se inspiraram no dito popular “não dê o peixe, ensine a pescar”. O voluntário passou a se comportar como um amigo, reconhecendo no valor da amizade o verdadeiro apoio que a pessoa precisava para fortalecer-se e encontrar, ela mesma, a solução para seus problemas. A evolução havia sido grande, mas ainda não se respeitava a liberdade humana. Havia ainda atitudes que hoje são consideradas inconvenientes pelo CVV, como acompanhamento de casos com consentimento ou não da pessoa que era “atendida”. Acreditavam não dar conselhos, mas “sugeriam soluções”;

4) Finalmente, em 1974, os voluntários foram apresentados às ideias defendidas por Carl Rogers. Desde então o CVV vem evoluindo na linha humanista. O voluntário hoje se vê como um amigo da pessoa, embora temporário, mas realmente interessado em suas vivências, em como se sente. O “método” não-diretivo passou, com o tempo, a ser comportamento; os princípios básicos – respeito, compreensão, aceitação – estão passando a fazer parte da proposta de vida do voluntário.

* CVV – uma proposta de vida. São Paulo: Editora Aliança, 1989


Um comentário:

  1. não colhe agora botão que, somente amanhã, promete desabrochar. Dá seiva à roseira que, por si só, a rosa se abrirá num sorriso a te oferecer suas pétalas... seu perfume... Dócil e integralmente, Cláudia M. Botelho - conselho

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