sábado, 24 de maio de 2014

O que é um diálogo compreensivo - Parte final

Há três condições que devem estar presentes para que se crie um clima facilitador de crescimento:

1-Congruência, genuinidade. Esta é sem dúvida uma das razões para olharmos para nós mesmos antes de olharmos para os outros. Exige que possa verdadeiramente acolher, aceitar, não julgar, ser honesto, colocar-me no lugar do outro, abrir mão do distanciamento, das interpretações pessoais e do poder. É imprescindível que nos olhemos com honestidade. Porque afinal, “nós não somos apenas aquilo que estamos habituados a ser, pois podemos nos transformar naquilo que queremos ser.”.
Quem sou eu? Quem sou eu e como me sinto na relação? Após encontrar a resposta, devo ficar segura, em contato consciente comigo mesma e com os meus sentimentos.



2- Aceitação (interesse ou consideração) positiva incondicional (sem desejo de poder).
Significa aceitação do que é aquela pessoa, da sua experiência, das suas convicções, forma de ver o mundo, dos seus valores, dos seus sentimentos... Sem negociação, sem julgamento, sem condenação, por muito diferentes que sejam dos meus. Implica reconhecer, aceitar e valorizar a diferença. É realmente possível oferecer uma atenção apaixonada, realmente ESTAR AÍ para o Outro conforme a gente vem discutindo neste último treinamento?

Isso nos remete à compreensão empática. Implica escutar muito, de maneira cuidadosa e ativa. Escutar sem os filtros dos preconceitos e olhar sem as lentes da minha própria compreensão do mundo e das coisas. Ser sensível não apenas às palavras proferidas, mas também às tonalidades da experiência, à intensidade com que se manifestam os sentimentos. Requer que no sentido de esclarecer o que se ouve, a gente possa devolver o que é apreendido para que se torne claro, no interesse do outro. Sei que não é fácil e não existe uma receita para cada situação especificamente. Mas, para concluir, reitero a afirmação de Rogers “Não é das ciências físicas que o futuro depende, é de nós que ele depende. De nós que tentamos compreender e enfrentar as interações entre os homens – que procuramos criar relações pessoais de ajuda.” Porque é possível promover o outro por meio da relação de ajuda adequada!

Por Regina Lúcia de Araújo.

Referências bibliográficas
ROGERS, C. Tornar-se Pessoa. Fonte: Tornar-se Pessoa, Carl R. Rogers – Ed. Martins Fontes – 6ª ed.
RUDIO, Fraz V . Orientação não diretiva , Editora Vozes – 14ª ed.

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